No dia de Santo António,
nasceu Fernando Pessoa;
e o seu primeiro pensamento
foi para as moças de Lisboa.
Num arraial em Lisboa,
cruzou olhares com Ofélia
e, num repente, amou-a
e ofereceu-lhe uma camélia.
No Porto, pelo São João,
voltou a sentir-lhe o cheiro;
terno, pegou-lhe na mão:
— Eu sou Alberto Caeiro.
Quando São Pedro chegou
com as chaves da paixão,
Ofélia até pensou
em abrir-lhe o coração:
— Embora não o saibais,
não sou homem casado;
chamo-me Ricardo Reis,
em medicina formado.
Estando triste a bela Ofélia,
perguntou então a São João
a que homem da camélia
tinha dado o coração.
E o santo lhe respondeu:
— É poeta e fingidor;
finge o amor que te deu,
porque não vive o amor.
