Dragão Azul

Nova tourada

Réplica do poema de Ary dos Santos

Nova Tourada

Não importa sol ou sombra,
camarotes ou barreiras,
toureamos lado a lado
contra as feras.

Fomos todos enganados
por discursos bem montados,
por sorrisos ensaiados
e quimeras.

Entram jovens comentadores
com palavras bem polidas,
entram falsos doutores
com receitas já vencidas,
entram mestres dos rumores
a vender ilusões
repetidas.

Com verónicas de medo,
para nos enfraquecer,
puseram este país
a sofrer.

Temos de enfrentar o bicho
com coragem e firmeza,
para lançar para o lixo
a tristeza.

Entram boys em campanha
sem trabalho apresentado,
gritam slogans de fachada
e discurso decorado,
pintam tudo de mais negro
para vender o seu recado.

Entram velhos oportunistas,
entram novos charlatães,
entram pavões e carreiristas,
entra a tropa dos aldrabões,
entram sempre os especialistas
das promessas e invenções.

Entram sempre as mesmas listas,
fazem toda a encenação,
entram novas bandarilhas
com a mesma intenção,
entra o povo em armadilhas
a encher a multidão.

Entram turistas milionários
com negócios por fazer,
entram cortes orçamentais
que ninguém quer entender,
entram gestores e ministros
sempre prontos a vender.

Entram privatizações,
falências e confusões,
entra a pressa sem visão
a ditar decisões,
entra a soberba de fora
a impor condições.

E no meio da poeira,
da mentira e do vendaval,
ouve-se a voz costumeira:

— Acabou-se Portugal!

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