Eu vejo o mar nos teus olhos.
Os teus olhos têm cheiros
de praias e maresia,
de sonhos escritos no vento,
com canelas e coentros
e perfume de fantasia,
embrulhada em poesia.
Nos teus olhos ouço sons
de mil arrependimentos,
de tempestades de vento
que ecoam como fantasmas
das profundezas do mar,
chorando pelos seus lares.
Nos teus olhos há sabores
que inebriam paladares:
picantes noites de amores,
acalorados rubores
alimentados pela dor,
no silêncio dos altares.
Nos teus olhos sinto a força
de tantas mãos calejadas.
Sinto a insónia sem esperança
de noites sem madrugada,
de corpos feitos de sal,
abandonados na longa estrada.
Os teus olhos olham mundos
perdidos numa voragem,
horizontes sem limites
em oceanos de nada.
Eu vejo o mar nos teus olhos,
minha pátria,
minha amada.